quarta-feira, 10 de maio de 2017

Estádio 1º de Maio

Falemos de uma "batata quente" para qual a solução vem sendo sucessivamente adiada: o Estádio 1º de Maio.
Integrado num complexo desportivo e de lazer que continua a ser talvez o maior da cidade de Braga construído pelo Município (só encontra provavelmente rivalidade no Complexo Desportivo da Rodovia), é um grande edifício com capacidade para 43 mil pessoas sentadas (mais 13 mil que o actual Estádio Municipal de Braga).
Iniciado em 28 de Maio de 1946, nas comemorações dos 20 anos da revolução de 28 de Maio que instaurou o Estado Novo, é um edifício majestoso e de uma arquitectura muito peculiar, classificado como Monumento de Interesse Publico, que praticamente não conheceu alterações desde que foi inaugurado.
Nos anos 80, aquando da participação do Sporting Clube de Braga nas competições da UEFA, o organismo que tutela o Futebol Europeu obrigava a que este fosse remodelado para albergar cadeiras individuais, o que se revelava impossível, não só porque o estádio foi construído em alvenaria de granito, mas também porque a dimensão dos seus "degraus" não permitia o espaço suficiente para albergar a dita cadeira e um espaço de corredor para as pessoas passarem uma pelas outras.
Conclusão: a necessária adaptação foi sendo adiada e os jogos europeus permitidos sob pretexto de ser tecnicamente inviável e porque iria destruir a arquitectura do estádio.
Concorde-se ou não, serviu esta justificação de pretexto para a construção de um novo estádio.

Estamos em Maio de 2017, o Estádio ainda tem uso para os jogos das equipas de futebol feminino do SC Braga, da Equipa B e também de alguns jogos das camadas jovens, mas brevemente, penso eu, isso sofrerá alterações com a construção do complexo desportivo pelo Sporting Clube de Braga junto ao novo estádio.

A questão que se coloca: o que vai depois acontecer ao "velhinho" 1º de Maio? O que fazer?

Manter como está e deixá-lo à ruína?
Recuperá-lo para a mesma função, gastando uma fortuna sem "inquilino"?
Demolir e perder um património valioso?
Vendê-lo, entregando-o à iniciativa privada?
Mudar a sua função?

Estamos a falar de um espaço importante com cerca de 27,5 m² bem perto do centro da cidade. Um espaço ao qual qualquer privado gostaria de "deitar a unha".
Não me acredito que alguém nos próximos tempos tenha uma solução milagrosa para este edifício.
Brevemente, os políticos da nossa Praça entrarão em campanha eleitoral. Não me acredito que a discussão deste tema seja abordada por qualquer um deles, não porque não seja um assunto importante, mas por ser uma assunto deveras incómodo.

Quem quer ficar com o menino?


Genesis

Surgiu este blog da ideia de colocar questões sobre a urbanidade da cidade de Braga.
Não é meu objectivo emitir juízos de valor sobre as posições tomadas pelos vários quadrantes políticos. Apenas levantar questões, apontar soluções e ideias, ainda que algumas delas possam parecer utópicas. Gerar confusão porque, como dizia Salvador Dalí: "Da confusão nasce a vida".

Não estou particularmente empenhado na vida política bracarense, nem me dou ao trabalho de assistir às Assembleias Municipais, nem sequer me considero uma pessoa empenhada politicamente e publicamente para defender uma determinada posição sobre um determinado aspecto da vida da cidade.

Pretendo com este blog fazer uma colectânea de manifestos, desviar olhares das discussões triviais do quotidiano dos bracarenses, se possível apontando para questões nas quais a maioria das pessoas nem sequer tem posição formada porque nunca pensou sequer nesse assunto.